Crônica de um “busonauta”

No ônibus outra cena singular.

Razoavelmente vazio, na linha que liga o Centro ao bairro Bethânia, Ipatinga-MG, especificamente, de número 604, via Rua Argel, toca o telefone. Um som, não ensurdecedor, mas digno de chamar a atenção de todos. A usuária, uma senhora, atende e como cantores de igreja, tapa o outro ouvido para ter um melhor retorno da chamada. O volume era alto a ponto de ouvirmos as palavras de quem estava do outro lado da linha. De repente ela solta sua voz. Um voz estridente, mas com dicção falha. Diz ela:

– Sabe os documentos que me pediram na prefeitura? São um monte. Tudo isso para dizer que meu lote é urbano ou interurbano. Veja se pode isso? Já resolvi. Agora é só a moça dizer se ele é urbano ou interurbano.

Ainda conversando ela dá sinal. Desce. E continua sua saga comunicacional. Seguimos em silêncio o resto do trajeto.

Por Marquione Ban

Os “manchetistas”: uma visão sobre ativistas políticos digitais, sobre nós

Sei que o termo não existe, mas quero usar de toda a licença poética que podemos adotar para vincular essa palavra ao que vivemos hoje em nosso país.

Como é sabido por todos, estamos no centro de uma crise político-democrática, moral, ética e etc. De um lado “coxinhas”. Do outro, “petralhas”. E, ainda, sob um muro, os que se dizem imparciais a tudo e lutam contra a crise e todos os seus protagonistas e antagonistas.

Esses personagens, coxinhas, petralhas e imparciais vem me deixando atônitos nesses últimos dias. Confesso que não sei como retiro pensamentos organizados para vos escrever. Isso porque, eles protagonizam batalhas épicas nas redes sociais. Suas armas são os enunciados. Manchetes variadas e de acordo com sua tendência partidária. Na maioria das vezes, falsas. Criadas apenas para moldar a pobre mente dessas personas digitais.

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Carreira: postagens nas Redes Sociais X Empresas e Chefes

Essa semana me chamou a atenção uma postagem de um amigo. Nela, ele comenta sobre posts de colaboradores que externam nas redes socais (Facebook, Twitter, Snapchat e outras) seus sentimentos de frustração com o ofício, empresa e também com o dia. Afinal, nem todos possuem bom humor constante ou motivação diária para ser feliz full-time.

A postagem me incomodou. Não no sentido de ofensa, mas para olhar aquele texto entre linhas e ver as possibilidades que ele me dava de pensar sobre o assunto. Sei que nove a cada dez orientadores de carreira dizem para você não postar coisas assim:

Contudo, olhei e reflito esses memes por outro ângulo. O do colaborador que está desmotivado e o da empresa que perde a oportunidade de entender melhor seu funcionário e fazer com que ele produza mais. Porque quem está motivado trabalha feliz e produz mais e com qualidade. 

Outro ponto para essas analise, é que ainda não entendemos o significado das redes sociais no nosso dia a dia. Muito menos que elas amplificam nossos discursos e geram ecos e ruídos.

Afinal, qual a diferença em dizer que o dia e trabalho está chato numa mesa de bar, dentro do ônibus, refeitório e de falar isso no Facebook, Twitter e outras redes? A diferença é bem simples. Trata-se da potencialidade, do eco e ruídos. Em nossas redes sociais físicas, digamos assim, o máximo que pode ocorrer é uma fofoca. Nas redes digitais, o seu discurso se propaga ao “infinito e além”. Gera eco. Gera demissão.

Mas não é para ser assim. Como  disse, analisei e analiso essas postagens por outro ângulo. Vejo que há nelas uma oportunidade das empresas de trabalhar a motivação de seus colaboradores, de mensurar como anda esse item tão importante para a empresa. Se o gestor for esperto, e não chefe, isso porque há uma pesquisa que mostra que temos nossos imediatos nas redes sociais, ele se apropria do post para interagir e motivar o colaborador.

É esse time que as empresas em seus RHs engessados pelos métodos tradicionais tem perdido. E assim, perdem excelentes profissionais. Excelentes pessoas. E ganham problemas incalculáveis.

Como fazer essa abordagem, eu não sei ao certo. Apenas sei que é urgente reavaliar nossas posturas offline no mundo de bits e bytes. Precisamos levar o toque humano, que hoje está ausente de nossas relações, até mesmo fora do digital, para esse pequeno ambiente hoje tão comum e hostil.

E você, o que pensa sobre essas postagens? O que pensa sobre nosso comportamento nas redes sociais de bits e bytes e também nas de carne e osso? Deixe seu comentário.

por Marquione Ban

Irmã Morte, só um abraço te darei

Trinta já não bastam?
E os amores até  aqui vividos?
Foram suficientes?
As amizades? Os inimigos?
Desta irmã, como trata São  Francisco, ninguém escapa.
Ela esgueira por aí. Ali e aqui.
Sempre do nosso lado.
Deita-se conosco.
De seu abraço, carinhoso, ninguém sai.
Ela tem apenas uma tristeza.
De tanta certeza, um dia ela perdeu.
Alguém abraço-a. Olhou nos seus olhos.
Sentiu se calor! Seu sabor.
A amou.
Mas acima de tudo, amou mais a nós.
E voltou.
Tchau irmã!
Um dia contigo estarei.
Seu carinhoso abraço sentirei.
Mas um outro abraço terei.
E, em seus braços ficarei.

Como estudar em tempos de crise?

midia-indoor-dinheiro-economia-negocio-poupar-poupanca-moeda-orcamento-custo-credito-financiamento-imobiliario-imovel-compra-comprar-casa-deposito-banco-financas-financeiro-1272899844076_956x500A crise atual em que nosso país se encontra nos faz refletir onde, quando e como investir. São questões, que se não pensadas corretamente, nos levam a uma decisão equivocada e a perda de dinheiro. A crise faz com que coloquemos o pé no freio literalmente.

Mas onde podemos investir nesses tempos? A resposta pode ser simples. No entanto, a pergunta é errada. Não devemos perguntar onde investir, mas como aproveitar o momento e obter ganhos para o futuro. Esse é o “X” da questão.

Um das formas de fazer isso é bem clara. Aproveitar ao máximo as promoções. Outra resposta bem coerente é se qualificar. Isso mesmo? Eis o tempo de qualificação.

Quando o mercado entra em crise vem com ele desemprego. Os primeiros a cair são aqueles que não tem qualificação. Essa lógica entra na máxima de se fazer útil.  Aquele que é útil não é desprezado. Junto a isso, há também as contrações de pessoas qualificadas para resolverem problemas pontuais relacionados ao momento. Ter qualificação nessa época é garantia de empregabilidade e sobrevivência.

Mas se não tenho qualificação, por que devo buscar uma? E justo agora com a crise?

Meu jovem Padawan,vocês não sabe de nada. Crises vão e voltam. E além disso, empresas precisam sobreviver e agora que fazem muitas, muitas, mas muitas mesmo, promoções. Além de tudo isso, conhecimento é algo que ninguém pega de você, nem mesmo uma crise.

Aproveitar as condições deixadas pelas empresas são essenciais. Olhe só. Uma faculdade da minha região (Eis aqui o site deles para quem quiser saber mais) está dando 50% de desconto no semestre para quem entrar na faculdade agora. O que isso significa? Para os que olhos não tem, nada. Mas para você muito. A oportunidade de começar uma faculdade.

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Imagina se seu curso escolhido custar R$ 1000, 00 a mensalidade. Isso significa que o semestre lhe custará R$ 6000,00. Com esse desconto, você economiza R$ 3000,00 reais que podem ser investidos em poupança para o próximo semestre ou outro curso de qualificação.

Para economizar mais ainda, você pode usar uma dessas financiadoras sem juro. Quase toda  faculdade tem. Em épocas comuns, creio que o maior desconto que você teria era de 15% na matrícula.

Com a qualificação vem um melhor currículo e uma melhor colocação no mercado. Pense nisso. Pesquise. E aproveite enquanto há tempo.

Tem outras formas de economizar para estudar? Diga-nos nos comentários.

Por Marquione Ban

Vagante

Minhas pernas já sabem onde vão.

Caminham sós.

Nãos as mando.

Meu corpo sente o vento,

o frio e o calor do caminhar.

Mas minha mente.

Onde está?

Minha alma vagueia.

Não sei livre. Não sei de longe.

Perdida. Talvez…

Ela vai onde não estou.

Onde não vou,

mas onde quero estar.

Vagante está minha.

Vagante é minha mente.

Meu espírito.

Vagante sou eu

aprisionado sobre um chão.

Rígido e frigido.

Por Marquione Ban

Um ensinamento que Jesus nos deixou e nós ignoramos

Um texto sobre fé e tolerância. Jesus ensinou muitas coisas, mas seus seguidores as esqueceram.

O ANUNCIADOR

Você tem vários caminhos. Eles podem te levar ao mesmo destino, mas a escolha é sua. Você tem vários caminhos. Eles podem te levar ao mesmo destino, mas a escolha é sua.

Esta semana comecei a refletir sobre muitas coisas. Umas delas envolvia essa história de estado laico e também comportamentos sociais contemporâneos. Muito se fala. Muito se opina. E muitos tem a verdade encrustada em suas pronuncias. Ao menos pensam que tem. Mas o que isso tem há ver com os ensinamentos de Jesus? Tudo, meu caro padawan.

Comecemos pelo ensinamento que ignoramos: o livre arbítrio.

– Mas esse ensinamento é conhecido de todos. Deus nos deu. Como pode ter sido ensinado por Jesus?

– Explico.

O livre arbítrio nos foi dado por Deus desde nossa concepção. Se assim não fosse, não haveria fruto proibido no Jardim do Éden. Mas essa é outra história, um tanto quanto complicada. O que quero dizer é que temos nossas escolhas. Optamos por entrar ou não para o Reino…

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A Pequena Loja de Suicídios – Le Magasin des Suicides

le-magasin-des-suicides-afficheA animação de 2012, em parceria da Belgica, Canadá e França, é simples e bela. Le Magasin des Suicides, é uma animação singela que nos faz pensar sobre a vida. E também sobre aqueles que pensam na morte. O que fazemos pelos outros? Fica essa pergunta. E também outra: como vemos aqueles que flertam com a morte?

Parece ser sempre uma discussão para muitas do campo psicológico, mas não é. É relacional. É uma discussão humana.

A criança feliz é nesse mundo sombrio e cinza a ponta de felicidade que muitos tem. Em oposto o pai, sombrio e fiel a morte. A tradição da tristeza. Essa dicotomia percorre o filme o tempo todo e só se unem ao fim.

Le Magasin des Suicides é singelo, mas como tudo que é singelo carrega uma mensagem tocante e bela.

Assistam o filme. Será muito bom.

Adaptação

The Suicide Shop é a adaptação do livro de mesmo nome, escrito por Jean Teulé em 2007. O diretor Patrice Leconte decidiu fazer apenas algumas modificações, para tornar este filme “praticamente irônico com tanto otimismo”.

Sinopse

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Em uma cidade triste e depressiva, as pessoas não tem mais passatempos, e o comércio mais lucrativo é uma loja com produtos para suicídio. São cordas, venenos e outros instrumentos para ajudar cada cidadão a encurtar sua vida. O único problema é quando a proprietária da loja engravida e dá à luz a um filho alegre, repleto de vida. Grandes problemas esperam estes pobres comerciantes…

Momentos

As palavras fugiram.
O olhar vai longe no horizonte e perdido.
O corpo  não responde mais,
E os pensamentos …

….se tornaram vazios.

Um vácuo se firmou.
A espera é van. Se é que há.
O nada, completa aquilo que parece tudo,
Mas lá no fundo, existe apenas distração.
Esquecimento de que momentos passam.
Se vão.

E depois de tudo
O olhar ainda está lá.
Longe…Longe…

Mas lá.

Por Marquione Ban

JE NE SUIS PAS CHARLIE!

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Janeiro de 2015 a França se uniu contra o terror. E não só eles, todo o mundo. “Je suis Charlie” – Eu sou Charlie. Essas palavras ecoaram mundo afora como um clamor de paz. Por fim, líderes mundiais aderiam às massas e marcharam contra o terror e ataque a Liberdade de Expressão. Tudo isso foi e é de fato bonito. Solidário. Nada justifica o atentado.

No mesmo período outra atrocidade ocorreu. Na Nigéria, o Boko Haram massacrou cristãos. Os mortos nem foram contados. Pesquise sobre essa brutalidade.

Então, agora você sabe que junto ao atentado injustificável ao Charlie Hebdo e ao supermercado judaico na França centenas de cristãos foram motos na África. E por que só um foi informado? Porque era na Europa e lá morreram jornalistas e intelectuais. Na África, eram apenas cristãos.

“Je ne suis pas Charlie” – Eu não sou Charlie. Não por ser insensível. Pelo contrário, compadeço e oro pelas vítimas. Repúdio o terrorismo. Não sou Charlie, porque para eles a Liberdade de Expressão pouco importava. Fazer escárnio da fé alheia era é o objetivo de suas charges.

Liberdade de Expressão, que como disse o Papa em sua visita ao Sri Lanka, “possui limites”. O limite da liberdade de expressão é o outro. Se sua fala fere, agride, tenha certeza, o limite foi ultrapassado. E pode gerar a guerra. Morte. Como essas.

“Je suis l’humanité”. Je suis contre le terrorisme”.

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Estamos chocados com a maldade humana. E não é de agora. Desde os primórdios da humanidade. Foi assim com Caim e Abel. Foi assim com Hitler. Foi assim com as  Torres Gêmeas. Com EUA no Vietnã. Foi assim com o massacre não falado, mas real, massacre da Nigéria e que a mídia nem comentou, afinal não era na Europa. E é assim com Charlie Hebdo.

Eu não sou Charlie Hebdo. Eu não sou a favor dos terroristas.

Contudo, colocar uma virgula depois de “Eu sou Charlie Hebdo” ou dizer “Eu não sou Charlie Hebdo” não significa que você, eu e qualquer outra pessoa é a favor do terrorismo. Não mesmo. Significa que pensamos e enxergamos a história com olhos mais abertos e com menos manipulação midiática.

Não vou me estender nesse assunto. Apenas rezo pelas vítimas do atendado, que é injustificável, afinal, para quem já estudou um pouco sobre o islamismo, sabe que a religião prega a paz. Também sabemos que há radicais em tudo e não só nas religiões. Portanto, elas não são culpadas pelas mortes, mas sim homens que almejam muito mais que conviver e sim dominar o outro.

Apenas elenco para vocês ótimos textos, que poderão lhe ajudar a entender meu ponto de vista e de tantos outros mundo afora contra o terrorismo e a libertinagem de expressão. Assunto para outro post aqui no blog.

Leia:

  1. Estadão | Eu não sou Charlie Hebdo
  2. Aleteia | Eu condeno o atendado, mas não sou Charlie Hebdo
  3. Leonardo Boff | Eu não sou Charlie, je ne suis pas Charlie
  4. Brasil 247 | Porque eu não sou Charlie
  5. Dies Irae | Finalmente, sobre Charlie Hebdo e os atentados em Paris

Um parentese

Líderes mundiais marcharam na França em favor da liberdade de expressão, mas não marcham contra a fome, contra a perseguição cristã pelo Estado Islâmico. Contra o Boko Haram. Contras intervenções militares americanas. Contra as imposições americanas a diversos países do mundo. Contra a pobreza. Contra o destruição do meio ambiente. Contra… Ironias. Boa parte dos líderes ali presentes, em seus países são verdadeiros censuradores. Ironias.

Para mim, falta mais humanidade na humanidade. Falta Deus.

 Por Marquione Ban

 

Desejos de Ano Novo

Nunca é tarde para desejar um Feliz Ano Novo. E Drummond sabia muito bem disso.

Leia com o coração:

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Desejos de Ano Novo

“Quem teve a ideia de cortar o tempo em fatias, a que se deu o nome de ano, foi um indivíduo genial. Industrializou a esperança, fazendo-a funcionar no limite da exaustão.

Doze meses dão para qualquer ser humano se cansar e entregar os pontos. Aí entra o milagre da renovação e tudo começa outra vez com outro número e outra vontade de acreditar que daqui para adiante vai ser diferente.

Para você, desejo o sonho realizado. O amor esperado. 
A esperança renovada.

Para você, desejo todas as cores desta vida. Todas as alegrias que puder sorrir, todas as músicas que puder emocionar.

Para você neste novo ano, desejo que os amigos sejam mais cúmplices, que sua família esteja mais unida, que sua vida seja mais bem vivida.

Gostaria de lhe desejar tantas coisas. Mas nada seria suficiente para repassar o que realmente desejo a você. Então, desejo apenas que você tenha muitos desejos. Desejos grandes e que eles possam te mover a cada minuto, rumo à sua felicidade!”

Carlos Drummond Andrade (Itariba, 31/10/1902 – Rio de Janeiro, 17/8/1987)
Poeta, contista e cronista brasileiro, licenciado em Farmácia.

“Êxodo: Deuses e Reis” um filme sobre escolhas e caminhos

Uma crítica sobre os sentimentos que esse filme gerou em mim. Um ótimo programa para o final de semana.

O ANUNCIADOR

Vale a pena ver o filme. Vale a pena ver o filme.

Talvez seja moda ou não, mas no último ano assistimos Noé, e este ano vimos Êxodo: Deuses e Reis. O primeiro causou polêmica ao mudar a história de modo sutil mas mudou contata nas catequeses e escolas dominicais por aí. Personagens sumiram e Noé foi apresentado como um homem novo, forte e galã. Com “Êxodo” não é muito diferente. Mas espera aí…que bom que temos tido filmes retratando a história do povo de Deus e suas aventuras.

Sobre Êxodo ou Exodus: Deuses e Reis tenho muitas percepções a contar. Alguns fúteis, outras não. Vou me ater às que realmente considero importante. Para começar, lembro que no filme há momento em que o choro vem ao ver a fé de um povo sofrido. Não todos desde povo, mas daqueles que a guardam, assim como nos dias de hoje poucos fazem. A experiência de ver…

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