A vassoura, a folha, a mulher, o vento e eu

Aquele momento que você para e pensa: o que eu faço aqui? É, sempre acontece comigo. Mas não é quando chego a um lugar. E sim sobre meus sentimentos.

Tenho sido um poço de tudo. De mim se extrai todas as formas de sentimentos. Todos os desejos. Tudo que há habita em mim.

Tenso? Sei que sim.

Essa tensão é que me faz pensar em quem sou eu.

Outro dia vi uma pessoa varrendo a rua. A árvore estava lá aparentemente parada. A mulher movimentava de um lado ao outro. As folhas caiam lentamente. Umas mais secas que as outras. A vassoura só obedecia.

Essa cena me fez pensar. Se sou um poço e há nele tudo, como posso me controlar? Mas a questão se complicou. Não sei se queria estar imóvel com a árvore ou movimentando, mas sem sair de um curto espaço como a mulher. E ainda tinha a resignada vassoura. Quem iria me conduzir?

Me dei conta que as folhas caiam porque já tinham feito sua missão para com a árvore. E um fator determinava o futuro delas.

O vento era o motor de todo o movimento dos personagens. As folhas voavam rua a fora. Umas fugiam da vassoura. Outras não.

Ainda não entendi tudo. Acho que nunca vou. Aquele momento que senti tudo, que sou tudo, sempre vai existir. Como todo esse movimento sem noção, nada faz sentido. E tudo se significa de saber.

Descobri que estava naquele momento apenas para observar. Outro dia estarei para movimentar. Ora obediente, ora circular, ora a fugir. Naquele momento eu estava a observar. Apenas a observar.

Sou um poço hoje. Amanhã o vento. Depois a folha. Muitas vezes a vassoura.

Por Marquione Ban

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Em reforma

Durante meses se quer olhei para espaço maravilhoso. Parece clichê, mas não é. Realmente eu considero este espaço uma obra prima da anárquica internet. Embora ainda enfrente algumas dificuldades para abastecê-lo eu me esforçarei para tal.

Enquanto minhas nobres forças se acabam no TCC – trabalho de conclusão de curso – do qual me pego a questionar sua simples e importância existência, eu me dedicarei a falar sobre essas angustias aqui como se fosse um livreto simples e curto. Por que aqui eu posso se eu e não a 3ª pessoa do singular ou plural. Aqui posso dar minha opinião e mostrar o que eu sei sem me abastecer de autores que às vezes nem sei quem são.

 

por Marquione Ban 

Tudo é efêmero?

Nossos grilos

Nossos grilos

Às vezes  paro, penso e reflito sobre o caráter passageiros das coisas. Como pode ser tudo efêmero? Como pode até meus pensamentos serem efêmeros? Fico louco. É ai que percebo que como o Pinóquio, possuo um grilo em minha cabeça. Ahhhhhhhhhhh que coisa – para não falar palavrão.

Como é sabido o grilo exerce função de consciência na mente de Pinóquio. Foi ai que percebi que na verdade tudo é efêmero porque mentimos o tempo todo para nossos pensamentos. Quando criança queria ser astronauta – e era de fato, pois vivia no mundo da lua – porém vinha um pequeno grilo e falava: para de “viajar na maionese”  e vai ser outra coisa. Decidir ser médico. Que coisa… Lá estava o grilo e me dizia: não vai não.

Talvez por isso tudo é efêmero. Todas as vezes que queremos ser algo ou fazer alguma coisa, o nosso velho e chato grilo nos diz não. Passar por essa fase é imprescindível e inevitável. Até que um dia você acredita que venceu seu grilo, e nada mais se torna e/ou é passageiro. Confuso?

Fácil para desconfundir é simplesmente pensar. Eu posso fazer isso ou aquilo? Dependendo do isso ou aquilo a resposta é não. Sinal que seu grilo ainda está vivo.  Ele faz assim você viver de forma efêmera. Poema+Ef%C3%A9mero

Decidir vencer meu grilo de uma maneira. Usando meu conjunto lexical para expressar sensações que jamais diria em áudio. Portanto a única coisa que não passa são as palavras. Enfim consegui me tornar imortal – sem mesmo entrar para Academia de Letras  ou virar super herói como já quis ser na infância. Escrever, expressar idéias, construir ideologias, criticar pensamentos é o que nós faz imortais e ao mesmo tempo não – efêmeros. O medo de falar é que nos transforma em adubos esquecidos em cemitérios.

Na verdade temos de acreditar que um dia tudo vai acabar. Só as palavras vão ficar. Só este blog sobreviverá. E eu?… Sei lá. Tudo pode acabar como a música da sábia Rita Lee: Tudo vira bosta.

Marquione Ban