Um indeciso chamado Eu

Quem nunca se pegou parado, refletindo no infinito ponto do nada à sua frente? Com o olhar perdido e vago? Creio que todos.

Infelizmente todos nós passamos por isso. A indecisão do pensamento. Seja ele autocrítico, seja para uma decisão, seja para o nada. O ócio toma conta e não é criativo. Não se faz útil.

– Por que sou assim?

Questiona o indeciso chamado Eu.

Eu poderia dizer quem sou se soubesse, mas como não sei nem onde vou não falo quem sou. Só saio perdido e meditando.

Foram tantos textos escritos. Tantas músicas cantadas. Foram muitas imagens processadas no cérebro e na alma. Dores sentidas e vividas. Alegrias! Sorrisos! Mas, que que nada adiantaram.

Ainda não sei quem sou o Eu. Que é o Eu?

Estou aqui. Com aquele olhar vidrado no nada e no tudo. Parado nas conexões de meus neurônios e enebriado no doce vácuo do pensamento.

Lá, nada tem. E ao mesmo tempo há tudo.

– Sou eu o indeciso Eu?

por Marquione ban 

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Crônica de um “busonauta”

No ônibus outra cena singular.

Razoavelmente vazio, na linha que liga o Centro ao bairro Bethânia, Ipatinga-MG, especificamente, de número 604, via Rua Argel, toca o telefone. Um som, não ensurdecedor, mas digno de chamar a atenção de todos. A usuária, uma senhora, atende e como cantores de igreja, tapa o outro ouvido para ter um melhor retorno da chamada. O volume era alto a ponto de ouvirmos as palavras de quem estava do outro lado da linha. De repente ela solta sua voz. Um voz estridente, mas com dicção falha. Diz ela:

– Sabe os documentos que me pediram na prefeitura? São um monte. Tudo isso para dizer que meu lote é urbano ou interurbano. Veja se pode isso? Já resolvi. Agora é só a moça dizer se ele é urbano ou interurbano.

Ainda conversando ela dá sinal. Desce. E continua sua saga comunicacional. Seguimos em silêncio o resto do trajeto.

Por Marquione Ban