O último homem

Seu dia e seu olhar.

O tempo abraça tudo. Apertou como uma mãe que não via seu filho há muito perdido. Todos se foram. Tudo se perdeu. E, restou um. O último homem.

Ele nada via. Nada ouvia. Só sentia, embora escondesse isso de si mesmo. Pensava que não tinha sentimentos. Tentava os ignorar quando na verdade eram eles que o movia.

No horizonte, apenas a linha do sol e da terra era possível visualizar. Vastos. Inalcançáveis. Assim era a vista de sua varanda. Seu olhar triste admirava a mais bela das visões nas alterosas de sua terra. Literalmente sua, pois ninguém podia tomar. Não há ninguém ou alguém.

O último homem vivia seus dias ali. Parado e observando o nada. Somente uma coisa lhe atormentava. E essa coisa é a pior que existe. A solidão era sua inimiga e companheira. Se havia diálogo? Não se sabe. O que se entende, é que o mundo era como um teatro vazio e o ator estava no palco. Em um monologo. Debatia consigo mesmo.

“Ser ou não ser?”. Não era a questão.

Ela era apenas falar ou não. Ele já era. Sabia que era. Só não aceitava ser o ser. Ser alguém.

Só estava ele. Porque queria? Creio que não. Era o último homem deste chão. Era apenas um ponto no entre a linha do horizonte. E era finito. Um fim teria. Deus sabe quando. Mas, existiria Deus? Assunto para outro dia. Outra era. Outra vida, que não haveria de viver. Afinal, era o derradeiro entre aqueles que pensavam. Que sonhavam com um outro mundo possível. Que nunca foi viável, apenas utópico.

Lá, na varanda estava ele. Nada via. Nada ouvia. Apenas estava lá.

Apenas estava lá. Só.

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Por Marquione Ban

Um indeciso chamado Eu

Quem nunca se pegou parado, refletindo no infinito ponto do nada à sua frente? Com o olhar perdido e vago? Creio que todos.

Infelizmente todos nós passamos por isso. A indecisão do pensamento. Seja ele autocrítico, seja para uma decisão, seja para o nada. O ócio toma conta e não é criativo. Não se faz útil.

– Por que sou assim?

Questiona o indeciso chamado Eu.

Eu poderia dizer quem sou se soubesse, mas como não sei nem onde vou não falo quem sou. Só saio perdido e meditando.

Foram tantos textos escritos. Tantas músicas cantadas. Foram muitas imagens processadas no cérebro e na alma. Dores sentidas e vividas. Alegrias! Sorrisos! Mas, que que nada adiantaram.

Ainda não sei quem sou o Eu. Que é o Eu?

Estou aqui. Com aquele olhar vidrado no nada e no tudo. Parado nas conexões de meus neurônios e enebriado no doce vácuo do pensamento.

Lá, nada tem. E ao mesmo tempo há tudo.

– Sou eu o indeciso Eu?

por Marquione ban 

Meus passeios pelo bosque dos Pensamentos

De modo póstumo dedico este texto a todos os neurônios perdidos para construção desta narrativa.

Sempre fico a pensar sobre as coisas da vida como: quem nasceu primeiro o ovo ou a galinha? Sinceramente acho tudo isso muito tosco, embora necessário. Foi então que descobri duas respostas possíveis para essa problemática humana que se arrasta desde o primórdio de sua constituição de consciência.

  1. Ponto de vista do evolucionista – na verdade sobre o que eu entendo da teoria evolucionista – o ovo nasceu primeiro devido animais ancestrais se transformarem nos atuais. Antes alguns botavam ovos e foi na fase embrionária que ocorreu mutação para gerar os animais hodiernos.
  2. Ponto de vista bíblico – a galinha. Deus criou todos os animais primeiros. Depois eles se reproduziram. Então o ovo veio depois.

Toda essa bobeira pensativa me ajudou a entender algo. Não interessa quem nasceu primeiro, o que necessito verdadeiramente é pensar. Entrar neste bosque meditativo e assim como “Alice no país das maravilhas”, enlouquecer e compreender que não há a loucura e crescer nas ociosidades contemplativas da vida.

Para que? Por que? Onde? Como? Quando? Que? Hum? Não entendi? São expressões que alegram e fazem com que meus eleitos neurônios – para morrerem – descubram quem nasceu primeiro, o ovo ou a galinha, Sarney ou o Senado, dentre outras questões que afligem a neurótica humanidade.

Para finalizar, pensei novamente e questiono as hipóteses anteriores criadas por mim e firmo um terceira idéia.

3. Os dois – ovo e galinha – afinal se considerarmos que o ovo é o embrião da galinha, então o ovo é uma galinha e a galinha é um ovo.

por Marquione Ban

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