Crônica de um “busonauta”

No ônibus outra cena singular.

Razoavelmente vazio, na linha que liga o Centro ao bairro Bethânia, Ipatinga-MG, especificamente, de número 604, via Rua Argel, toca o telefone. Um som, não ensurdecedor, mas digno de chamar a atenção de todos. A usuária, uma senhora, atende e como cantores de igreja, tapa o outro ouvido para ter um melhor retorno da chamada. O volume era alto a ponto de ouvirmos as palavras de quem estava do outro lado da linha. De repente ela solta sua voz. Um voz estridente, mas com dicção falha. Diz ela:

– Sabe os documentos que me pediram na prefeitura? São um monte. Tudo isso para dizer que meu lote é urbano ou interurbano. Veja se pode isso? Já resolvi. Agora é só a moça dizer se ele é urbano ou interurbano.

Ainda conversando ela dá sinal. Desce. E continua sua saga comunicacional. Seguimos em silêncio o resto do trajeto.

Por Marquione Ban

Os legados da Copa da África do Sul e do Brasil

ELEFANTE-BRANCOA Copa está aí. Ela não vai chegar mais já chegou ao “país do futebol”. O que esqueceu de chegar até aqui foi que para se ter uma ótima Copa do Mundo, como cantam os seus organizadores, é preciso deixar legados à população. No África do Sul, última nação iludida pelos seus Governantes e pela FIFA a receber a copa, o legado não veio.

A expressão “Elefante Branco” nunca fez tanto sentido aquele povo como faz a nós, brasileiros hoje. Estádios monumentais em um país em que o futebol não é o seu maior esporte. Comunidades removidas das proximidades por serem pobres e nada mais. A Copa do Mundo na África deveria ter ensinado ao Brasil como fazer um Copa que realmente fosse do povo e para o povo.

O que vemos na ruas hoje amedronta os turistas e poderosa FIFA.

Estamos vendo ídolos do futebol tentarem reverter às criticas populares com mais aneiras do que soluções. Ronaldo afirmou que “Copa não faz com hospitais”. A resposta veio imediatamente nas redes sociais.

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Pelé, o Rei, abriu a boca para pedir ao povo que esqueçam essas “coisas” e apoiemos a seleção. O povo apoia a seleção “sua majestade”, mas o povo não é otário.

Agora veio outro ídolo, da copa de 94, Bebeto falar besteiras. Disse que “esperava todos unidos para fazermos a melhor copa de todos os tempos”. Estamos unidos sim. Para fazermos o melhor Brasil de todos os tempos.

Podemos até gritar gol nos dias de jogos da seleção. Podemos receber os gringos bem, como nos pediu a presidenta. Podemos deixar de ir as ruas um dia ou outro. Só que não.

Não iremos receber os gringos bem, porque não temos casa, hospitais, transporte público de qualidade e etc. Não podemos deixar de ir às ruas porque é por meio delas que estamos forçando nossos servidores – políticos –  a trabalhar em nosso benefício. Nossa simpatia não vai mudar. Mas é ruim receber as pessoas sem pode lhes oferecer um cafezinho. Não acham?

Que os gringos não precisem de hospitais, pois não tem.

Enfim, faremos a melhor Copa do Mundo de todos os tempos. Não bela beleza dos gols, as vitórias do Brasil, pela simpatia dos brasileiros, ou ainda pelo carnaval que sempre fazemos nestas horas. Mas teremos a melhor Copa do Mundo pelo legado que deixamos ao mundo: o povo é quem manda em seus políticos, basta ele querer. Nós brasileiros queremos.

Que a história abaixo não seja nosso legado.

Para que lado Ipatinga está? Vulgo O Chapéu.

Em Ipatinga fomos todos chapelados pelos políticos dessa Gomorra Poliseia – nome cientifico que atribuo a nossa cidade. Assim como no poema A quadrilha de Drumonnd em Ipatinga assistimos assentados vendo a banda – podre – passar ( tudo junto e misturado: Holanda e Drumonnd), com os amantes que se amam mas não ficam com quem é de se esperar.

Foi o que aprendi: dar chápeu nos outros é errado. A justiça deu um grande chápeu em nós ipatinguenses.

Foi o que aprendi: dar chápeu nos outros é errado. A justiça deu um grande chápeu em nós ipatinguenses.

 

Cada cachola tem o seu. Seja invisível ou não, o fato é que ludicamente falando, dar chapéu nos outros sempre foi errado. É o que aprendi.

 

 

 

Chico amava a cidade que rejeitou Sebastião, que ganhou da Rosa do Povo. Que ficou na frente do Amantino e do Walter. Por sinal Walter desistiu e Amantino também. Chico ganhou, mas não levou. Versiani que nem estava na história o tirou. Amantino morreu. Walter sumiu. A Rosa do Povo voltou ao Legislativo. Quintão que perdeu, ganhou. Até que uma tal de Maria Grossi, juíza – mais uma que não estava na historia – o tirou. Quem entrou?

Segundo a Grossi o Robson do Sindicato – mais um fora da historia – que por sinal se chama Robson Gomes e é presidente da câmara. Esse vai ficar até que a velha cega justiça veja alguma solução – irônico. Enquanto isso pra que lado Ipatinga está? Sei lá? Só tome cuidado ao pronunciar este titulo com rapidez. Alguém pode querer encaixar o… chapéu em você.

Marquione Ban